quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A falta de um vocalista já não é mais um problema

Cada vez mais a inspiração das bandas independentes surge de estilos diferentes de se fazer música. Algumas fogem do padrão e descartam o elemento que muitos julgariam como essencial: o vocalista. A Banda de Joseph Tourton, ao contrário do que o nome possa sugerir, não é composta por apenas um integrante, nem, muito menos, de nome Joseph e sobrenome Tourton. Diogo Guedes (guitarra e efeitos), Gabriel Izidoro (guitarra, escaleta e flauta transversal), Rafael Gadelha (baixo) e Pedro Bandeira (bateria) formam a banda de rock instrumental, na ativa desde 2007. “A Joseph Tourton (como é comumente conhecida) foi, por muito tempo, uma banda de improviso. É muito difícil uma banda de instrumental vingar, porque não são muitas as que surgem, boa parte não consegue formar um público e os lugares que abrem espaço para esse tipo de música são raros”, revelam. Hoje, com os dois anos de carreira apenas, a banda já tem vários shows marcados, inclusive em cidades fora do estado, e um certo reconhecimento em meio à cena musical pernambucana.


Coletivo Manda-Chuva: Como foi que tudo começou?
A Banda de Joseph Tourton: A estreia da banda foi no Coquetel Molotov e desde esse dia a gente não ficou nem um mês sem tocar em algum lugar. Antes disso, a gente se juntava só pra fazer umas jam sessions (uma espécie de ensaio, sem necessariamente ter uma playlist definida ou uma banda formada. Informalmente, “se juntar para tirar um som”).


Quais as dificuldades do início?
Lugar pra fazer as jam sessions. Mas a gente nem se importava muito com isso, curtia mesmo estar junto, fazendo som.


Quais as inspirações da banda?
A gente ouve muito rock instrumental, muito hardcore, mas ouve também outros estilos. É muito variado: Tortoise, Asia Dub Foundation, Manu Chao, Cidadão Instigado, Mestres da Guitarrada...


Por que instumental?
Talvez se naquela época aparecesse alguém disposto a cantar e entrasse no clima em que a banda estava, as composições, hoje, poderiam não ser instrumentais. Atualmente, a gente pensa que fazer música instrumental é fazer músicas mais livres, tanto pro músico, com o instrumento mais sensível, sem a presença de um frontman, quanto pro público, já que não existe a objetividade de uma letra, abrindo um leque maior das interpretações de uma composição. Também conta o fato de que ninguém na banda escreve.


Em que show vocês tiveram o maior público?
Aqui no Recife, talvez no programa de TV "Sopa de Auditório" (foto). Em São Paulo, a gente fez um show que lotou o Sesc Vila Mariana, um auditório de lá.


Qual é o público-alvo da banda?
É muito misturado. Quando a gente faz show no Recife Antigo, tem criança, mendigo dançando na frente do palco...


Como é feita a divulgação?
Basicamente pela Internet. Orkut, Myspace e, agora, Twitter.


De onde surgiu a ideia de criar um piloto sem rosto (Joseph Tourton) como emblema da banda?
Essa idéia do cara sem rosto foi muito doida. Quando começamos a bolar a identidade visual da banda pra capa do EP (disponível no Myspace), a gente tinha a viagem de que Joseph Tourton tinha sido um piloto desaparecido. Ele não podia ter rosto porque as fotos teriam sido conseguidas sem a autorização do Sr. Tourton, que aparece nelas. Boa mesmo foi a forma como a gente conseguiu gerar uma coerência entre o som, o nome da banda e o piloto sem rosto.

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