Um grupo de amigos, na época adolescentes, decidiram no final de 2005 fazer um som autoral e psicodélico. Algo que não é tão comum no Recife, uma cidade onde as bandas descendentes do movimento mangue ocupam a maior parte do cenário musical. No entanto os jovens, Daniel Barreto, Diego Dornelles, Pablo Bitu e Dano estavam nem aí para o sucesso, dinheiro, mulheres gostosas e viagens ao exterior. O que eles queriam mesmo era viajar no próprio som, então surge a Doce Escória da Puberdade Divina.
O nome bem viajado foi obra do contrabaixista da época, Pablo Bitu. Ele tentou por diversas vezes explicar o significado, mas ninguém entendia, exceto alguns membros da própria banda. Ao longo do tempo o conjunto passou por diversas mudanças. Pablo saiu e Vinícius Valença entrou no baixo. O Até então baterista, Dano, abandonou o projeto devido a problemas pessoais e conturbados que o mantiveram fora da sociedade por algum tempo. Então, entrou em seu lugar um cara excêntrico chamado Júlio Lima. Ensaios aqui, shows ali... Aos poucos a banda foi mudando. Diego, que tocava guitarra, passou a revezar o baixo com Vinícius. Depois de um tempo as coisas mudaram de vez. Vinícius agora passara a tocar teclado e Diego ficou definitivamente no contrabaixo.Meses depois, os caras decidiram por uma mudança de nome. A partir de então, a banda passou a se chamar “O Gigantesco Narval Elétrico”.
Outra designação meio maluca, mas que dessa vez teve um significado compreensível. Na verdade foi uma tentativa frustrada de causar uma impressão assustadora. Para os que não sabem, o narval é um mamífero cetáceo pertencente à família Monodontidae característico das águas frias em torno do Círculo Polar Ártico. Simplificando, o narval é uma baleia com chifres em espiral que vive na costa da Groelândia. O nome “elétrico” entrou porque eles fazem um som com instrumentos elétricos e talvez seja uma referência a uma música do segundo disco do Black Sabbath, Electric Funeral. No entanto além desses significados, a inspiração do nome veio do livro de Júlio Verne, 20 mil léguas submarinas. Onde a população chamava de Gigantesco Narval Elétrico o que achavam ser um monstro marinho que afundava os navios locais. Depois de uma investigação, uma embarcação americana que tenta matar o suposto monstro descobre que na verdade se tratava de um navio que funcionava embaixo da água (na época não existiam submarinos), tal embarcação era comandada pelo maquiavélico Capitão Nemo.
No final de 2007 eles quase subiram ao Mainstream recifense (que se comparado ao âmbito nacional ainda é bastante underground) no festival de bandas Microfonia realizado pelas Faculdades Integradas Barros Melo, a AESO. Eles quase conseguiram subir ao pódio chegando próximo de tocar no festival Abril Pro Rock, mas devido aos resultados meio suspeitos, terminaram em quarto lugar. Após essa época, eles começaram a de fato cagar para valer para o Mainstream, hoje eles não se consideram mais uma banda formada e sim um laboratório de sons, é o que conta em entrevista o antigo baixista e agora tecladista, Vinícius Valença.
Coletivo Manda Chuva: Quando a Gigantesco Narval Elétrico começou?
Vinícius: Começou com ensaios esporádicos nos estúdios de boa viagem. Antes a banda se chamava Doce Escória da Puberdade Divina e era formada pelo baterista Dano, o guitarrista Daniel; Diego tocava guitarra e Pablo contra-baixo. Então eu entrei no lugar de Pablo, meses depois devidos a problemas pessoais, o baterista Dano saiu e Júlio entrou em seu lugar. Nós começamos a tocar e compor com mais veemência. Terminamos por gravar algum material, mas que não serviu para posterioridade, devido a problemas técnicos.
Coletivo Manda Chuva: Como você entrou na banda?
Vinícius: Daniel e Diego já tocavam juntos há tempos. Eu conheci os meninos a partir de um amigo que estudou no colégio Santa Maria comigo, Victor Serak, que é primo de Daniel.Conheci os caras num jogo de copa do mundo em 2006 no Applebees, tomando uns chopps gelados, depois disso comecei a tirar som com a rapaziada.
Coletivo Manda Chuva: Qual é a proposta da banda?
Vinícius: Tocar uma música mais solta, sem muita forma.
Coletivo Manda Chuva: Só para lombrar?
Vinícius: Isso.
Coletivo Manda Chuva: Quais são as influencias da banda?
Vinícius: As influências no início eram muito pesadas. Agente curtia bastante bandas como: Black Sabbath,Grand Funk Railroad, Led Zeppelin, The Jimi Hendrix Experience, etc. Eu particularmente escutava muito Monster Magnet, Fantomas e Mr. Bungle.
Coletivo Manda Chuva: E atualmente?
Vinícius: Hoje em dia o pessoal anda mais fino (risos). A gente ta escutando coisas mais variadas como Soft Machine, Eric Clapton e até mesmo Blue Cheer.Eu escuto mais jazz hoje em dia, não muito rock como antes. Estou curtindo Miles Davis, Coltrane, Sun Ra, Bill Evans, Wayne Horter, entre outros.
Coletivo Manda Chuva: Como anda a Narval hoje?
Vinícius: A banda tem experimentado muito durante esse tempo todo de formação. Atualmente anda com as atividades reduzidas, mas não nos consideramos mais uma banda formada e sim um laboratório de sons e possibilidades musicais que ainda vai fazer muito barulho. Estou viajando no final do ano e pretendo voltar com equipamentos que venham a calhar nesta investida.
O Gigantesco no MySpace
rock doido, pai.
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